A decisão do ministro André Mendonça, que permitiu conversas de Daniel Vorcaro com seus advogados sem serem gravadas, podem criar ambiente para delação
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a decisão do ministro André Mendonça — que permitiu conversas de Daniel Vorcaro com seus advogados sem serem gravadas, pode ter criado ambiente para algo muito esperado no meio político e no ambiente jurídico: o inicio das conversas sobre uma possível delação de Vorcaro.
Não que a decisão do ministro tenha esse objetivo. Mas ela terá essa consequência de abrir o caminho para esse tipo de conversa. E os motivos vão muito além da decisão em si. O primeiro é o cenário maior. Daniel Vorcaro é suspeito de fazer a mistura mais radioativa de crimes de grande repercussão: ele misturou o colarinho branco com atuação de milícia.
Ministros avaliam muito remota a chance de Vorcaro reverter essa prisão na votação da próxima sexta-feira (13), na Segunda Turma.
Sem muitas chances de reverter sua prisão, a ampulheta exerce pressão. Ele está numa cela de 9 metros quadrados e em breve passará para uma de 6 metros quadrados.
Vive restrições que são o extremo oposto da vida que sempre levou. Foi transferido de presídio muitas vezes até chegar ao de segurança máxima. Esse fator emocional de ter pouca certeza no futuro conta muito.
Além disso Vorcaro tem potencial para ser indiciado, denunciado e condenado por uma série de crimes: gestão fraudulenta, gestão temerária , fraude no sistema bancário, falsificação de documentos, corrupção, lavagem de dinheiro. A soma de penas o levaria a um bom tempo de prisão.
